Revista Digital de Homens Maduros......
 

A revista dos grisalhos abre este espaço para o trabalho de conscientização e prevenção da AIDS
Aids na Terceira Idade
Em dez anos, o número de casos de aids entre homens com mais de 60 anos quase dobrou. Até meados dos anos 80, a transfusão sangüínea representava o principal fator de risco para aquisição do vírus HIV nesta faixa etária. Atualmente, observa-se que a maioria dos casos de aids nos pacientes idosos pode ser atribuída ao contato sexual ou ao uso de drogas injetáveis.
Entender a velhice e aprender a valorizá-la implica também no conhecimento de determinados valores éticos e morais que são fundamentais para sua compreensão e, sobretudo, para com o trato com o idoso, considerando principalmente que no mundo atual muitas conquistas da intervenção científica abriram ao homem novas possibilidades de intervenção, inclusive em sua própria vida, exigindo assim uma avaliação ética destas intervenções para que o homem seja sempre respeitado em sua dignidade, em seu valor de fim e não de meio.
Na sociedade ocidental, existem muitos mitos em relação ao envelhecimento.
Pessoas mais velhas geralmente são vistas como improdutivas e assexuadas, tabus que aos poucos vão caindo por terra. Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, lá em 2002, revelou que 39% das pessoas acima de 60 anos – fase em que se inicia a terceira idade, segundo a Organização Mundial de Saúde – são sexualmente ativas. Paralelo a isso, a cada ano cresce o número de soropositivos nesta faixa etária.
Pessoas com mais de 60 anos não foram criadas com a cultura do uso da camisinha. Normal para jovens de vinte e poucos anos, o preservativo não faz parte da rotina das pessoas mais velhas - Portanto, nunca é tarde para aprender a usar preservativos.
O prolongamento da atividade sexual decorrente de uso de drogas contra a impotência pode ser o fator determinante para a evolução da epidemia na terceira idade. Entretanto, ainda é cedo para associar o aumento de casos de aids entre esse grupo à utilização de drogas para disfunção erétil: “a partir dos quarentas anos já se percebe o interesse cada vez maior por esses medicamentos. Entretanto, não existem dados concretos que reforcem a teoria que o aumento dos casos de aids nesta faixa etária está relacionado a essas drogas. Como a notificação demora a ser feita, só daqui a alguns anos pode-se fazer uma avaliação - Aqui vale refletir sobre o uso indiscriminado e sem controle médico dessas drogas.
O impacto da Aids nesse grupo etário não representa apenas o diagnóstico da doença, mas o fato de se trazer à tona certos hábitos até então não revelados, como a sexualidade, escondida na pele enrugada e nos cabelos brancos, onde a libido é traduzida pelo preconceito.
Estima-se que existam cerca de 600.000 pacientes HIV/Aids contaminados em todas as faixas etárias, correspondendo a cerca de 14.000 pacientes com idade igual ou superior a 60 anos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) conceitua, para os países em desenvolvimento, o idoso como sendo toda pessoa com idade igual ou superior a 60 anos. Ao longo da epidemia de Aids observou-se considerável elevação da incidência de pacientes neste grupo etário, representando nos dias de hoje cerca de 2,4% do total de pacientes contaminados. Isto se deve, sobretudo, à não inclusão deste grupo nas campanhas de prevenção, fazendo-os sentir-se à margem dos riscos de contaminação.
A contaminação de idosos ocorre, fundamentalmente, por relações sexuais, das quais as hetero e bissexuais são mais freqüentes, representando 43% dos 75% do total de casos relacionados a transmissão sexual. A contaminação por sangue/hemoderivados e as relações sexuais homossexuais foram comuns no início na década de 1980, com modificação semelhante à observada em pacientes adultos jovens, quando houve heterossexualização da epidemia.
As doenças oportunistas que acometem o indivíduo idoso são as mesmas que acometem um adulto jovem, porém o grande problema é que algumas delas, como a pneumocistose, por exemplo, podem passar despercebidas pelo clínico, frente a um paciente idoso sem conhecimento da positividade sorológica para o HIV, que, possivelmente, a considerará como se tratando de uma pneumonia grave em paciente debilitado. O mesmo ocorreria nos quadros demenciais que poderiam ser tratados como um quadro de demência de outra etiologia, que não aquela relacionada ao HIV,não diagnosticando ou postergando o tratamento específico, compromete, assim,o prognóstico do doente.
A dificuldade de tratar os idosos soropositivos é a presença de doenças metabólicas e do próprio envelhecimento, que comprometem a escolha da terapêutica anti-retroviral, especialmente pela necessidade de utilização de drogas anti-retrovirais promotoras de efeitos colaterais
De certa forma, a dificuldade de tocar publicamente em questões de sexualidade do idoso, até então silenciosa, como suas preferências e práticas sexuais. Trata-se de um grande tabu, que esbarra no preconceito, não só da sociedade geral, como por parte dos próprios idosos.
Pelo fato de idosos portadores do HIV exigirem cuidados especiais, alguns serviços, incluindo o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, criaram atendimento ambulatorial direcionado a essa faixa etária, garantindo atenção diferenciada, com prolongamento de horários dos atendimentos, com maior freqüência entre as consultas, além de avaliação multidisciplinar concomitante. A detecção de condições sociais complicadoras requer atenção especial da assistência social, incluindo encaminhamento de pacientes para casas de apoio ou núcleos especializados.