A
Andropausa e a Reposição Hormonal
Masculina
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Muito
já se conhece e se comenta sobre
a menopausa e os processos característicos
dessa fase na mulher. Porém, no
que se refere aos homens, que costumam
ser mais negligentes em relação
à saúde, pouco se comenta
com sobre a sua “menopausa”,
denominada “andropausa”.
Para
os especialistas, até mesmo este último
termo é contestável. O correto
não seria nem “menopausa masculina”
nem “andropausa”, mas sim "Deficiência
Androgênica Progressiva do Envelhecimento
Masculino", cuja sigla em inglês
é PADAM (Partial androgen deficiency
of the ageing male).
Durante
este processo verifica-se diminuição
progressiva das taxas de testosterona no homem.
Podem ocorrer aumento na proporção
de gordura corporal, diminuição
da massa muscular, tendência à
anemia e osteoporose. Outras alterações
freqüentes são: diminuição
do desejo sexual, mudanças no desempenho
sexual (dificuldade de ereção),
letargia, perda de pelos faciais e do corpo,
dificuldade de concentração,
problemas de memória, apatia e depressão.
A
testosterona é o hormônio masculino
mais importante antes e logo após o
nascimento no indivíduo do sexo masculino.
Ele é produzido pelas células
de Leydig, nos testículos, que, por
sua vez são estimuladas por hormônios
da glândula Hipófise. No final
da formação embrionária,
a testosterona provoca a migração
dos testículos para a bolsa escrotal.
Após o nascimento, o hormônio
masculino desempenha importante papel durante
a puberdade, quando ativa a produção
de esperma, faz o pênis crescer, os
pêlos aumentar, a voz engrossar e ajuda,
ainda, no desenvolvimento da próstata.
A testosterona também é responsável
pelo alargamento da laringe e pelo espessamento
das cordas vocais. Durante a vida do homem,
a testosterona colabora com a manutenção
da massa muscular, do tecido ósseo
e acredita-se que colabore, ainda, para a
boa saúde e bom humor.
Reposição
hormonal
Com
isso, a reposição hormonal (até
pouco tempo, exclusividade das mulheres),
passou a se tornar cada vez mais comum entre
os homens, e foi a tônica do III Congresso
Mundial sobre o Envelhecimento Masculino,
que se realizou no início de fevereiro
de 2002 em Berlim, Alemanha.
O
reconhecimento deste problema vem crescendo
na comunidade médica. O diagnóstico
da andropausa pode ser auxiliado por alguns
exames clínicos: sangüíneo
(para medir o índice de testosterona),
espermograma (para medir a quantidade de espermatozóides),
urológico (conhecido como "exame
de toque"), densitometria óssea
(que detecta a osteoporose) e ecografia da
próstata e abdome.
Embora
ainda não exista um consenso entre
os especialistas, o tratamento costuma ser
realizada de quatro formas: via intramuscular
(com injeções), via transdérmica
(adesivos e gel), via oral (cápsulas
ou comprimidos) e via subcutânea (implantes).
A novidade no tratamento é um gel cujo
princípio ativo é a testosterona.
O gel custa, em média, R$ 43,00, mais
barato do que os adesivos de testosterona.
A
diminuição nos níveis
de testosterona faz parte do processo de envelhecimento
masculino. A reposição hormonal
traz vantagens como a melhora da força,
da massa muscular, da contagem de hemácias
(células vermelhas do sangue) e da
memória. Estudos recentes indicam que
a testosterona pode proteger o coração
por aumentar o HDL (bom colesterol). Porém,
antes de se decidir por realizar a reposição
hormonal deve-se ponderar entre seus benefícios
e riscos.
Os
riscos comprovados são crescimento
das mamas, aumento dos glóbulos vermelhos
do sangue (o que pode predispor a derrames
e infarto), lesões no fígado,
como hepatite e câncer, retenção
de água e sais minerais (o que pode
agravar insuficiência cardíaca
e hipertensão) e aceleração
do crescimento de tumores da próstata.
Há, ainda, o risco não comprovado
do aumento do colesterol, que é fator
de risco de infarto e derrame.
Se
comparado com as mulheres, o número
de homens que recorrem à reposição
hormonal ainda é muito pequeno. Porém,
da mesma forma como ocorre com as mulheres,
o tratamento para os homens deve ser dependente
de uma avaliação e acompanhamento
médico, levando-se em conta seus prós
e contras, para que os benefícios sejam
otimizados
Rodrigo
Matos dos Santos - Biomédico e divulgador
científico