Sexualidade e envelhecimento

Para Délia Goldfarb, um homossexual envelhece como qualquer outra pessoa. "A questão central é ter ou não ter um parceiro, ou seja, envelhecer com alguém ou envelhecer sozinho." As pessoas que envelhecem com alguém têm mais estímulos do que as solitárias. Nesse ponto, a psicanalista declara encontrar uma diferença entre homens e mulheres: "Mulher sozinha deixa mais facilmente de pensar em sexo. Vão evitando situações de estímulo sexual, porque é difícil conseguir um parceiro. Já um homem sozinho, que mantém-se na ativa, se não está deprimido ou isolado, é muito mais procurado que uma mulher sozinha."
Délia conta um fato curioso: quem começa a trabalhar em uma instituição para pessoas da terceira idade, pensa que vai encontrar um ambiente assexuado.
Mas, na verdade, vai verificar uma vida sexual bastante ativa, com namoros, separações, um indo dormir no quarto do outro, histórias. "A pessoa que envelhece solta as amarras de muitos preconceitos. Não precisa mais prestar contas. O que não quer dizer que não tem moral. É que não tem quem cobre deles." Ao mesmo tempo, aumenta a necessidade de ser desejado e ser reconhecido. Juntos, esses dois fatores levam a um recrudescimento da sexualidade. Ainda mais que hoje a indústria farmacêutica tem muito a oferecer nesse campo.

texto de Ferdinando Martins